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Suportes e Resistências. Afinal eles funcionam ?

Na sexta-feira (20.07.01) o ilustre amigo Radix, que todos aqui conhecem do fórum, me perguntou sobre suportes e resistências.

Colocava em discussão a definição do Mestre Nathal em que os suportes são fundos e as resistências topos e do Jayme Guitnick em que, segundo o Radix seria ao contrário. Pelo que eu entendi, o Jayme estava apenas registrando a importância de se confirmar a quebra dos suportes e das resistências com o posterior teste em direção contrária, mas vamos lá.

Suportes e Resistências

Afinal o que são? para que servem? Eles têm esta importância toda que os grafistas querem dar? Na semana passada, dissertando aqui sobre as decisões de compra e venda - no artigo É para comprar ou para vender ?, coloquei que talvez o segredo principal para se ganhar dinheiro na bolsa, seria aprender a ver se o mercado está subindo ou caindo e daí decidir se é para comprar ou para vender.

Pois a segunda coisa mais importante é decidir aonde que o mercado que estava subindo parou de subir (para se vender o que se comprou) e aonde que o mercado que estava caindo parou de cair (para se comprar o que se vendeu). E aqui entram os suportes e as resistências. Teoricamente o suporte é onde o mercado que está caindo encontrará um suporte e ocorrerá interrupção ou ao menos pausa na queda. E a resistência é aonde o mercado que está subindo encontrará uma resistência que interromperá ou ao menos dará uma pausa na subida.

Vamos recorrer ao bom e velho Aurélio e ver o que significam estes termos tão difundidos em nosso mercado:

Suporte [Dev. de suportar] S.m. 1. Aquilo que suporta ou sustenta alguma coisa. 2. Aquilo em que algo se firma ou assenta.

As outras definições não nos interessam, ficaremos só com estas duas.

Bom, então o suporte é aquilo que suporta ou sustenta alguma coisa ou aquilo em que algo se firma ou assenta. É assim no mercado? Provavelmente sim. O suporte nada mais é do que o local em que um ativo em queda irá ,ou ao menos tentará, se sustentar ou se assentar.

E a Resistência? Vamos recorrer novamente ao Aurélio:

Resistência [Do lat. resistentia.] 1. Ato ou efeito de resistir. 2. Força que se opõe a outra, que não cede a outra: Quis abrir a porta, mas encontrou resistência. 4. Aquilo que se opõe ao deslocamento de um corpo que se move: Os pássaros voando, vencem a resistência do ar.

Desprezamos as definições que não nos interessam.

A resistência então é o ato de resistir ou melhor, uma força que se opõe a outra, que não cede a outra e ainda aquilo que se opõe ao deslocamento de um corpo que se move.

Trazendo para o mercado financeiro. No caso de um movimento de alta, a resistência, será onde uma nova força ocorrerá, se opondo a anterior, ou melhor ainda a resistência será onde ocorrerá oposição ao deslocamento de um corpo (sendo o corpo aqui, o ativo em movimento de alta e a resistência a oposição ou o bloqueio a esta alta).

Bom, a resistência nada mais é, do que o local em que um ativo em alta, encontrará uma oposição ao seu movimento, que pode ou não interromper o mesmo, mas que ao menos dificultará sua propagação.

Bom, então abrimos o Aurélio e resolvemos nosso problema. Vamos voltar para a bolsa segunda-feira e encher os bolsos.

Antes fosse assim. Em primeiro lugar não é tão simples assim. E em segundo, ainda que nos tornemos experts em suportes e resistências, isso não nos garantirá lucros na bolsa, assim como nada pode garantir tal coisa.

O jeito é se aprofundar mais no assunto:

No excelente livro sobre Day Trade de Marc Friedfertig - The Electronic Day-Trader, ele define os suportes e resistências como Pontos de Saturação do mercado, ou seja, os locais em que o mercado, após passar algum tempo na mesma direção se satura e perde a força.

No caso de um trade de alta seria o ponto em que os que compraram mais abaixo começam a vender para realizar lucros e os que compraram tarde começam a acionar seus stops. Isso acaba levando o ativo a ceder e parar de subir, revertendo normalmente para queda. No ponto de saturação, o ativo encontrou uma resistência que interrompeu sua subida.

Esta definição nos ajuda a entender os suportes e as resistências, mas em nada nos ajuda a definir onde ele estão para que nos preparemos com abtecendência.

Quem acompanha a bastante tempo o Mestre Nathal já ouviu ou leu tantas vezes ele dizendo, de forma simples e objetivo que o suporte é onde o mercado achou barato e comprou e a resistência é onde o mercado achou caro e vendeu.

E Nathal sempre diz sua famosa frase: "Se não vai comprar no suporte, vai comprar aonde?" Bom, Nathal e muitos de nós, determinamos suportes e resistências através da análise dos gráficos e nestes pontos compramos ou vendemos.

Para determinar este ponto nos utilizamos do passado (suportes e resistências antigas) e do futuro (extensões e correções de fibonacci).

E nos suportes pretendemos comprar e nas resistências vender. Pois os que vendem nos suportes rompidos e compram nas resistências rompidas vivem de levar violinos.

Isto é, sendo surpreendidos por falsos rompimentos. Bom, então se já sabemos o que são suportes e resistências, e até sabemos o que fazer com eles, como saber se eles foram rompidos ou respeitados para definir que atitudes tomaremos?

Aqui vou recorrer à Bíblia dos Candles de Steve Nison - Japanese Candlesticks Charting Techiniques e a uma analogia que o Radix gostou muito. De forma simbólica podemos explicar e fazer as pessoas compreender muitas coisas que não conseguimos às vezes de forma objetiva:

"Uma vez perguntaram a Napoleão quais tropas ele considerava as melhores. Sua resposta rápida foi: Àquelas que são vitoriosas.' Veja o mercado como uma batalha entre dois exércitos (tropas) diferentes: Os comprados - Bulls ou Búfalos, e os vendidos - Bears ou Ursos.

O território que cada exército reivindica é especialmente evidente quando estamos em uma acumulação. A linha de resistência horizontal é o território que os Ursos (vendidos) devem defender. A linha de suporte horizontal e o território que os Búfalos (comprados) devem defender.

De vez em quando um lado mandará batedores invadir o território inimigo para testar as linhas de defesa. Por exemplo, ocorrerá um puxão dos Búfalos tentando levar os preços acima da linha de resistência.

Em tal batalha, temos que monitorizar a determinação dos Ursos. Se esta tropa de reconhecimento (batedores) dos Búfalos consegue montar acampamento em território inimigo (isto é fechar acima da resistência por alguns dias) então a cabeça de praia está formada (base no território inimigo).

Novas tropas prontas para o ataque se juntarão aos batedores. O mercado se move mais para cima. Desde que a cabeça de praia (acampamento) seja mantida - isto é, o mercado deve segurar a antiga área de resistência como suporte e as tropas dos Búfalos não podem ser rechaçadas de volta para seu território- os Búfalos dominarão o mercado.

Se ocorrer uma forte reação das tropas de defesa dos Ursos, que devolvam os Búfalos ao seu território, destruindo seus acampamentos e bases, considera-se que a resistência não foi verdadeiramente rompida."

Veja no gráfico abaixo os Batedores dos Búfalos (resistência de 623 - topo 630) na sua tentativa infrutífera de romper a resistência, que acabou em um movimento de reação dos Ursos que derrubou o ativo até 542. É muito comum após tentativas malfadadas dos batedores de invadir o território inimigo, uma forte reação das tropas de defesa.

Suportes e Resistências. Afinal eles funcionam

O gráfico acima e a analogia de Steve Nison, chega a um ponto que eu tenho insistido em minhas análises:

A quebra de um suporte ou uma resistência deve ser confirmada.

Exemplificando, no caso de uma quebra de suporte: na maioria das vezes o mercado irá testar brevemente este suporte como resistência.

Se ele for testado como resistência e não for rompido, podemos dizer que o suporte foi realmente quebrado. Se também o mercado se afastar significativamente daquele ponto, podemos afirmar o mesmo.

Não há fórmula matemática para definir isto com precisão, aliás, como tudo na bolsa e devemos utilizar a experiência e o bom senso sabendo que sempre poderemos errar.

O fato de não ter estas precauções, tem levado muitos a ouvirem o canto dos violinos como recentemente quando a telemar foi a 30,90 ligeiramente abaixo dos 31,00 e depois voltou forte e chegou a 35,15 em dois dias e meio.

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