Investindo em Títulos Públicos

Os títulos públicos são emitidos pelo governo federal com o objetivo de financiar a dívida pública, educação, saúde e infra-estrutura. Os fundos de Renda Fixa existentes nos bancos como alternativas de investimento, aplicam os recursos em títulos públicos.

Dessa forma a rentabilidade desses fundos está diretamente relacionada à rentabilidade dos títulos emitidos pelo governo. Ao investir em fundos de renda fixa dos bancos o investidor deve levar em conta que irá pagar uma taxa de administração que pode chegar a 3% a.a. em relação ao total investido.

Uma alternativa existente para o pequeno investidor é comprar títulos públicos via internet pelo tesouro direto (www.tesourodireto.gov.br), mas para ter acesso a esse recurso deve-se ter uma conta em um agente de custódia autorizado para que sejam realizados os saques e/ou depósitos.

Os títulos podem ser comprados em frações de 0,2 permitindo assim compras em valores pequenos; lembrando que o máximo que um CPF pode investir em títulos é de 400 mil reais por mês.

Taxas e Impostos

A BMF&Bovespa cobra uma taxa de 0,3% a.a. para realizar a custódia dos títulos, sendo que a parcela referente ao primeiro ano é paga no momento da compra, não sendo devolvido em caso de o investidor ficar menos de um ano com o título. As outras parcelas são descontadas no momento do pagamento de juros ou nos resgates. Além disso é cobrada uma taxa de negociação de 0,10% sobre cada negócio realizado.

Além disso cada agente de custódia, seja corretora ou banco, é livre para cobrar uma taxa a mais pela manutenção da carteira. Normalmente são os bancos que cobram as taxas mais altas, visando induzir o investidor a aplicar em seus fundos de renda fixa. Essa taxa varia de 0%a.a. até 4%a.a., sendo que a média cobrada pelas corretoras encontra-se entre 0,15% e 0,5%a.a.

Um outro fator que influencia na rentabilidade do investimento em títulos públicos é o Imposto de Renda, que incide sobre o lucro do investimento.

  • 22,5% até 180 dias;
  • 20% de 181 a 360 dias;
  • 17,5% de 361 a 720 dias e
  • 15% acima de 720 dias.

Como é fácil de notar, investimentos com prazos maiores pagam menos IR, o que compromete menos a rentabilidade do investimento.

Escolha do Título

Existem muitas alternativas de títulos públicos, sendo que cada um tem características próprias. Alguns títulos são atrelados à inflação, outros à taxa Selic e ainda outros são prefixados. De forma que o investidor pode escolher qual é melhor para seu perfil ou ainda montar uma carteira com títulos de vários tipos.

Uma outra característica básica dos títulos é a data de vencimento. Existem títulos de longo prazo (30 a 40 anos) e também os de curto prazo (1 ano ou menos), que podem ser usados para se adequar ao perfil e às necessidades de cada investidor.

Ele não é obrigado a manter seu investimento em determinado título até o vencimento. O tesouro nacional realiza recompras de títulos todas as quartas-feiras. Mas deve-se saber que a rentabilidade informada no momento da compra só é garantida se o investidor mantiver o título até o vencimento.

Pré-Fixados (LTN e NTN-F)

O valor que será recebido no vencimento é definido no momento da compra. De forma que são boas opções caso a taxa básica de juros (Selic) fique abaixo da taxa do título em análise. Como a taxa está prefixada o investidor corre o risco de perda do poder aquisitivo do dinheiro pela alta da inflação.

  • LTN (Letras do Tesouro Nacional): Pagamento no vencimento prefixado em R$1.000,00 por título (a rentabilidade é definida pela diferença entre o valor de compra e o valor recebido no vencimento), não atrelado à inflação, sem pagamento de Cupom Semestral.
  • NTN-F (Notas do Tesouro Nacional – Série F): Resgate no Vencimento de R$1.000,00 mais o último cupom semestral, possui pagamento de cupom semestral (referente aos juros definidos no momento da compra), não atrelado à inflação.

Indexado à Taxa Selic

Depende da política de juros do Banco Central, sendo indicado para cenários econômicos com alta na taxa de juros e inflação baixa e estável.

  • LFT (Letras Financeiras do Tesouro): Pagamento no Vencimento com os juros (rentabilidade diária vinculada à Selic)

Indexados ao IPCA

Garante poder de compra do dinheiro investido, com a vantagem de recebimento adicional de juros.

  • NTN-B (Notas do Tesouro Nacional – série B): Resgate do Valor Principal no Vencimento acrescido da inflação (IPCA) no período. Pagamento de cupom semestral (referente aos juros definidos no momento da compra)
  • NTN-B Principal: Pagamento no Vencimento do valor investido acrescido de juros (definidos no momento da compra) e inflação no período (IPCA)

Fatores que Alteram o Preço dos Títulos Públicos

Os preços dos títulos são definidos pelo mercado de acordo com expectativa dos juros. A queda nos juros eleva os preços dos títulos e uma alta dos juros reduz seu preço.

Exemplo: A LTN receberá R$1.000,00 no vencimento daqui a um ano e está custando R$900,00, de forma que a taxa de juros para esse título é de aproximadamente 11% a.a.. Isso ocorre porque a expectativa dos juros é de 11% a.a. Se a expectativa com relação aos juros cair para 8% a.a. o valor de LTN aumentará para aproximadamente R$925,00. A fórmula que define preço do título e taxa é dada por:

Preço = 1000 / ((1+taxa)^(DU/252))

Leia-se: Preço é igual a mil dividido por 1 mais taxa (elevado a DU divididido por 252). Ou na fórmula em Excell: Preço=1000/((1+taxa)^(DU/252)). Onde DU = Dias Úteis.

E é por isso que só é possível garantir a rentabilidade informada no momento da compra se o investidor carregar o título até o vencimento.

No site do Tesouro Direto existe um bom simulador para entender melhor estas relações

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